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sábado, 31 de agosto de 2013

Processo O|O Desabafo



O
Desabafo é essencial para a vida de um ser humano qualquer. Ele funciona como uma espécie de lavagem, que limpa o nosso interior; de ideias, pensamentos, lembranças e muitos outros elementos que nos deixarão melhor se forem externalizados, divididos. Enfim, quebrada a corrente de forças. Citemos o exemplo de uma situação inversa a essa anteriormente mostrada, um relato de um comentário sobre Franz Kafka[1], nele, o comentarista fala que "...pôde sentir perfeitamente, naquele desabafo controlado, consciente, do homem amadurecido, quão pernicioso resultou para a criança sensível o ambiente ostensivamente severo de seu lar...", isto é, portanto, um desabafo, diria, tardio, de um homem que tanto sofrera quando criança e encontrou, mais tarde, refúgio na Literatura!
Por isso, aconselho que não guarde certos fatos para si. Externalize-os, logo se sentirá melhor. Citemos, mais uma vez, a exemplar escrita de Franz Kafka, no sentido de sair das amarras interiores e vislumbrar um mundo menos sofrido, capaz de receber todas as nossas amarguras, de modo a serem fragmentadas[2] e isto está bem claro no prefácio da sua obra, O Processo[3]. Se existem elementos que estão guardados a sete chaves dentro de si é porque não provocariam situações saudáveis no cotidiano, portanto, não podem ser compartilhados com outras pessoas, nem mesmo com os de maior confiança, então, ao menos, descreva-os, com apenas este ato se sentirá bem melhor, – eis outra das razões por que escrevo!
...reescrevo sobre o amor?


[1] Nasceu em Praga, então pertencente ao Império austro-húngaro, em 03 de julho de 1883 e morreu em Kieling, perto de Viena, em 03 de junho de 1924, de família judia remediada. Escritor Theco de expressão Alemã. Era o sucessor de outros irmãos que tinham falecido.
[2] "Sua obra é um reflexo, o mais verdadeiro que se poderia desejar, porque ele escreve mais para si do que para os leitores, de seu mesmo espírito incapaz de encontrar as soluções convenientes aos problemas suscitados e até não acreditando que tais soluções pudessem existir. É uma obra que tem profunda influência sobre movimentos artísticos como o Surrealismo, o Existencialismo e o Teatro do Absurdo...".
[3] KAFKA, Franz. O Processo. (Tradução: Torrieri Guimarães). Martin Claret: São Paulo, 2001. "...nesta obra, nota-se a ambiguidade onírica do peculiar universo Kafkiano e as situações de absurdo existencial chegam a limites insuspeitados...".

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Incorporei...



I
njusta é a realidade que foi traçada ao logo dos tempos, por alguns seres humanos, para subjugar a outros tantos, "confirmando" também a teoria da Seleção Natural, com predomínio do mais forte, proposta por Charles Darwin[1].
Imagine como será viver a mercê, a depender e a esperar pela boa vontade dos que têm poder, poder este concedido pelos mais fracos, seja ele pouco menor ou absoluto (se existir), isso porque sozinhos muitos indivíduos não conseguem fontes para sobreviver com dignidade, visto que a má distribuição de renda, talvez causa principal desde o princípio da hierarquia rico versus pobre, ainda atua plenamente e aponta para ser cada vez mais concentrada nas mãos dos que já têm de sobra (falo da farta distribuição de riqueza para os que não se interessam com os necessitados), se se interessam, a ajuda é minúscula diante da necessidade, ou às vezes, estão apenas buscando o status de bom sujeito perante a sociedade, sendo assim ação “marqueteira”.
De fato, a sociedade aprendeu a não esperar apenas pelos políticos, já percebeu que o político é, antes de tudo, um interesseiro, que primeiro sacia-se e prestigia seu ciclo de poderosos, depois faz algo aqui, algo ali, para burlar e usa um marketing poderosíssimo para convencer uma grande massa. Porém, em minha opinião a sociedade não transforma absolutamente nada, no máximo estimula os representantes sensíveis a realizarem os anseios da classe populacional!
É por isso que projeto “A”, projeto “B”... com meninos de rua, mulheres do campo, viciados em drogas e muitos outros não vingam... Aliás, podem até vingar (mas não soluciona) se protegidos por um apoio e uma imagem política que o mantém para usufruir de votos. De que adianta suponhamos, um projeto de meninos de rua com aproximadamente cinquenta, resgatar um ou dois das ruas e vê-los crescer pessoal e profissionalmente, enquanto quarenta e oito ficam a praticar delinquências! De forma universal, a pobreza, a "maloqueiragem" dos meninos das ruas só será solucionada se forem feitas ações na raiz do problema: modificar o local onde vivem os indivíduos, dar as suas famílias condições de moradia, alimentação, saúde, emprego, enfim coisas que são pedidas e esperadas há séculos e que até hoje não ocorreram; será que um dia ocorrerão?
Engraçado é que nos projetos, seja ele qual for ou de quem trate, só quem se emancipa e usufrui de uma vida melhor é o presidente, ou o líder, coordenador ou seja qual for o nome que receba o “enfrentante”, como se diz. Eu posso até mudar de ideia sobre esta questão se me for apresentada, por exemplo, uma família que vivia realmente na lama, com os filhos se entorpecendo e furtando nas ruas e os pais desempregados, mas que, depois da “ajuda” de um projeto “X” modificou-se, todos têm emprego e vivem do trabalho para o lazer e a convivência familiar! Aí poderão me confrontar, me contradizer, alegando que esta família é impossível vinda da situação que se encontrava e que eu estou sonhando, idealizando... Defendo-me dizendo que vocês (...) sonham e idealizam muito mais que eu, pois proclamam a todo instante mudanças como estas... e mais, não se encarregam apenas com casos isolados, mas com comunidades inteiras, grupos de meninos de ruas e outras situações. Pois nem casos isolados e nem grupos inteiros são melhorados (no sentido de tornar a vida melhor) por projetos ou pela sociedade, há apenas rearranjos passageiros alimentados por uma politicagem infernal.

JaloNunes.


[1] "Fez uma revolução na Biologia (na Ciência, de um modo geral), através da Teoria da Evolução. O naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882). Esta teoria foi um duro golpe, no final do século XIX, na concepção Ocidental-Cristã do homem. A espécie humana passou a ser concebida como uma dentre as espécies animais, sujeitas aos mesmos processos de evolução e resultado desta".

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Palavras ao Vento...



A
o se lê o que escrevi antes, tenho certeza que ficou a ideia que sou mesquinho, anti-solidário, negativista... Pelo contrário, sou mais um marginalizado, crente que não o seja porque sou alienado e o Estado alienante me diz a todo instante que eu sou livre: para me trocar, me vender, para que eu consuma exageradamente, para me enquadrar sempre nas manipulações dos poderosos! Como gostaria que tivesse recursos para ajudar a quem precisa, ajudar não verbalmente, mas com ações!
Quando escrevo coisas como as anteriores, não estou condenando projetos “grandes” que, de certa forma, dão certo, mesmo reconhecendo a atividade marqueteira e politiqueira que há por trás e favorece, com exclusividade, os já poderosos (uma vez que conseguem abater impostos, ao passo que a população é quem é onerada dia a dia), logo, eu estou sim condenando projetos "grandes"! Vejam como o ser humano é inconstante, acabei de abrir exceções cruciais, drásticas e injustas! Por quê? Porque o homem sente-se ameaçado quando vai de encontro ao poder... As coisas boas para o povão não andam porque o poder as desanda!
Refiro-me, portanto, em especial, aos projetos fictícios que mais falam do que agem, que discursam bonito e que servem de cenário político, refiro-me também as balelas que são faladas dia a dia, que parecem mais orações matinais feitas por obrigação. Na verdade são apenas palavras! Como se a linguagem fosse, além de instrumento de comunicação, identidade e auto-afirmação, uma forma de mudança eficaz e efetivada logo após a sua difusão... Apenas isto não basta!
Realmente é bonito, muito bonito, ver ou ouvir pessoas ou grupos das tais discursando, defendendo as minorias para os quatro ventos, mas infelizmente, apenas isso não cessará as misérias incrustadas na humanidade, ou melhor, isso nem ao menos pode ser caracterizado de pré-ação, pode até ser pré-intenção em ajudar, entretanto, é mais vontade de aparecer, de vender a própria imagem, emancipar-se à custa das necessidades dos miseráveis!

JaloNunes.