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sábado, 23 de novembro de 2013

Globalização V Mendicância



C
erto dia, em pleno século XXI, participei de um fato, no mínimo, curioso. Mais que isso, reflexo da Globalização, da incidência frequente e intensa das informações que nos bombardeiam e nos tornam “informados”, até quando não queremos. Pois bem, neste contexto, ser mendigo, hoje em dia, é ser totalmente diferente do mendigo de tempos remotos, exceto na condição dos que vivem desabrigados e sem o pão. Outros, hoje em dia, têm a mendiguice como profissão. Apesar de as mãos generosas não serem as mesmas de antigamente.
            Num determinado estabelecimento comercial[1] entrou uma senhora; não apresentava características de mendiga. Mas detinha a atitude que mais lhes classifica, o ato de pedir a esmola. Pediu a certas pessoas e nada recebeu. Um outro lhe passou uma moeda, um jovem por sinal. Aquela moeda, ela resguardou e na mão conservou uma de valor inferior, que quando estendeu a mão para mim, constatei que se tratava de apenas 10 centavos.
Acompanhado do gesto da mão estendida ela pronunciou tais palavras: ­- me dê uma esmolinha... Eu, numa atitude mais mecanicista do que realista, respondi que não tinha naquele momento. O fato curioso foi a antítese que ela me lançou com bastante raiva, revolta: ô povinho esmoler! E saiu do recinto com extrema ira...
Nos dias de hoje, fica cada vez mais provado que nem sempre o esmoler é aquele que pede, mas necessariamente aquele que não doa. E esta prova não veio à tona de maneira teórica, mas essencialmente fatídica, isto é, real;

[1] Copiadora Kariri, pioneira no ramo de xérox, encadernação etc. da cidade de Palmeira dos Índios/AL, Brasil.

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