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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Natureza junto a mim!


M
esmo havendo, de todas as direções pessoas querendo, sem motivos óbvios, dilacerar, delimitar e subtrair a natureza, ela sempre dá um “jeitinho” de superar-se e continuar atravessando gerações. O ser humano cria animais, domesticados ou não e desmata as árvores, às vezes faz reflorestamentos.
Numa feira livre, é possível encontrar, além de bodes e galinhas, pássaros silvestres e “tipicamente de gaiolas”, somado a esses se encontram cisnes e vacas magras e filhotes de gaviões, carcarás e outros.
Se comprado dois carcarás (um casal) ainda filhotes, logo em seguida um homem desesperado 'barra' os compradores querendo os bichos, então aquele que há pouco os comprou, vê-se obrigado a se desfazer de um deles e, num gesto extremamente mercantil, revende um deles. Havia comprado os dois por R$ 15,00 e vendo a euforia e a necessidade daquele homem, vende apenas um por R$ 10,00, ficando de posse de um filhote de carcará por apenas R$ 5,00, sem nem ter tido o trabalho de 'arrancá-lo' do ninho.
Porém, ainda havia trabalho para mantê-lo em processo de crescimento, abastecendo-o com carne fresquinha e obedecendo a seus gostos instintivos. Não é nada fácil criar uma ave carnívora diante de um terreiro com tantas galinhas e pintinhos, mais que isso, não é nada fácil e divertido criá-lo preso, seria bastante prazeroso vê-lo voando e pousando no braço do homem que o 'alimenta'. Mas, seria possível isso?
No entanto ele ia crescendo com bastante virilidade e sucesso. Dava gosto ver que ele se adaptara as condições do viveiro e gostava de ser acariciado na nuca pelo dono, que se deleitava e o olho brilhava como uma criança diante de um brinquedo.
O tempo passava e ele já 'voava fluentemente' e com certa desenvoltura, porém, seu dono não gostava de vê-lo o tempo todo preso e o soltava, só que ele sempre aproveitava para pular no chão e sair correndo. Era apanhado e recolocado, mas isso era motivo de comemoração, não de chateação.
Certo dia ele saiu do viveiro e correu pelo chão, seu dono tentou pegá-lo, mas, inesperadamente ele voou. Tristemente para o dono, ele voou bem mais alto do que de costume e entre as árvores sumiu 'sem deixar rastros'. Não sabe seu antigo dono se ele pousou bem perto a ponto de se esconder andando no mato ou se voou em linha curva e se desviou da visão das pessoas, também a ponto de não ser visto. O fato é que desapareceu! Instantes depois, apareceram um casal de carcarás adultos no pé de mulungú[1]. Será que sabiam da presença do novo “amigo” e parente?
Ele foi procurado por horas e não foi visto, nem no chão, entre os garranchos e nem nos ares ou nas árvores maiores.
A natureza, então parece que quis recompensar aquele pobre ser humano que perdera aquele animal que já remetia carinho e, enquanto o procurava deparou-se apenas com um campo florido. Flores estas que no verão não estavam ali. São plantinhas que renascem como fênix somente na época das tenebrosas trovoadas, sendo que ao contrário delas, são dóceis, frágeis e claras como nuvem com o centro pouco avermelhado.  O ser humano sentiu-se atraído por elas e abaixou-se no chão, pegou um graveto e começou a cavar a terra, ainda molhada, ao redor dela, sem atingir muito o seu bulbo, até chegar ao final de suas frágeis raízes. Arrancou-a e colocou-a, minimamente pequena, sobre sua mão, que estava “enluvada com a luva” de couro que ele usava para que o carcará fincasse suas garras no braço dele, sem que perfurasse sua carne humana e vulnerável.
Olhou-a e constatou sim, uma fragilidade exposta, que muitas vezes é brutalmente pisada sem que haja o menor senso de importância. Olhou num ângulo de 360 graus e não constatou a presença de seu animal de rapina, então, abaixou a cabeça e viu aquela pequena flor dupla em sua mão, estava então, levando-a para sua casa e já pensava aonde iria plantá-la e se voltaria a vir sua beleza n'outra época de tempestade, isto é, no ano seguinte.
Plantou-a num vaso, ao lado de um cacto espinhoso, para que houvesse uma ideia e uma realidade de contraste, algo bastante mágico. Ao lado das plantas permanecia vazio o viveiro onde o carcará passava dias e noites e era visitado constantemente pelo ser humano, alimentado e acariciado com o empenho de quem depende tanto da natureza que às vezes a aprisiona, seja arrancando suas raízes ou não.
 JaloNunes.

[1]E uma árvore das leguminosas, bastante comum nessas terras secas e de águas inconstantes (Nordeste do Brasil). Na floração exibe flores avermelhadas em grande quantidade e produz sementes, também vermelhas, ovais e resistentes, que podem ser empregadas até no artesanato. Na época invernosa fica bastante folhosa e no verão não oferece sombra nenhuma. Suas galhas são muito empregadas na construção de cercas, não por as estacas serem resistentes, mas por serem de fácil manejo e por “pegarem” bem enquanto estacas, isto é, um novo pé de mulungú forma-se em pouco tempo a partir de uma estaca.

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