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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A Essência...



O
 que é essência para mim? É simplesmente aquilo que diz o que é o ser, aquilo que diz o que o objeto é, isto é, aquilo que identifica e que faz qualquer ser humano e até um animal poder ser identificado e assim também podermos diferenciar isto daquilo.
É aquilo que faz com que você, defronte de um objeto qualquer, o reconheça sem muitas dificuldades, já por existir, na sua mente uma representação perfeita deste objeto. E por que é perfeita e por que está na sua mente? Porque já houve um contato anterior com este objeto, seja de maneira prática ou de maneira intelectual a partir das diversas formas de conhecer. O desconhecido para mim é impenetrável, de imediato, pela compreensão da minha mente. Desta maneira eu seria incapaz de conhecê-lo rapidamente e seria mais incapaz ainda de identificar a sua essência. Por exemplo, quando provamos um gosto estamos fazendo um processo de reconhecimento e para mim, é essencial que o elemento provado seja idêntico ou similar com aquele, cuja representação e experimentação inicial estão guardadas na minha mente, por eu já ter feito um conhecimento anterior deste elemento.
Por isso que, quando eu tenho contato com algum mel similar, eu sei exatamente se ele é realmente mel de abelha natural ou não, ou se é resultado da artificialidade humana. Pois, mel bom é aquele que trás consigo o gosto da abelha, sua produtora e protetora... E por que o protege? Porque dele depende para continuar viva. E por que eu reconheço o gosto da abelha no mel? Não porque alguém me disse que ela tem um gosto tal, nem porque eu estudei e descobri que o gosto da abelha é similar ao gosto de outra coisa mais acessível a mim! Eu reconheço, não só o gosto como também o cheiro da abelha porque já estive em contato direto com mais de uma delas. Já fui muitas vezes por elas ferroado e senti a fundo a dor do veneno injetado. Quando elas, bravas e com razão, me atacavam na nuca ou em qualquer outra parte da face ou do meu corpo, eu, no desespero da dor, as arrancava e correndo podia sentir seu cheiro impregnado em mim! Ficava com o cheiro delas nas mãos e meu corpo tomado pelo veneno delas. Então, por algumas horas, eu tinha uma parte delas dentro de mim, circulando em minhas veias, junto com meu sangue, o veneno delas era superior a ele até certo ponto. Noutras vezes, quando degustava o mel chupando das colmeias, eu percebia o cheiro e o gosto, não somente do mel em si, na sua essência mais singular; percebia também e fortemente o gosto e cheiro delas, do trabalho delas e da instintividade delas, tudo isto impregnado na construção da colmeia, por onde elas trafegavam constantemente e incensadamente; onde elas transformavam néctar em mel, onde elas depositavam suas larvas e as via crescerem e transformarem-se em novas abelhas, onde a rainha imperava absoluta e degustava dos melhores tipos de mel, selecionados a rigor e capazes de alongar a sua breve vida.
É isso, a essência é mais que uma unidade interna de qualquer elemento, objeto ou pessoa, é aquilo que faz de um elemento, de um objeto ou de uma pessoa: único e ao mesmo tempo membro de um mundo e identificável em qualquer das circunstâncias. 
JaloNunes.

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