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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Simplesmente um roubo!



H
oje eu fui roubado! Que bom! Alguém ganhará em cima das minhas custas, do meu trabalho, do meu esforço... Esse alguém ganhará dinheiro, ganhará uma boa dor de cabeça (se a consciência pesar, o que é muito difícil) ou ganhará umas boas cacetadas quando estiver atrás das grades como merece, mesmo reconhecendo a aversão à humanidade que existe nesta forma de “reeducação”. Todos ficaram surpresos quando em casa cheguei. Já que eu estava bastante calmo como se nada tivesse acontecido, aliás, surpreendi até a mim mesmo, pois, não imaginava que reagiria daquela forma. Foi espetacular para mim, passar por aquilo (ser roubado!) um roubo razoavelmente grande, de algo “extremamente importante para mim”.
Pensando bem, estava no meu script passar por aquela situação, serviu muito de lição e foi mais um aprendizado que vivi!
Na verdade, foi tão bom que eu ria sem saber o porquê e, só depois de parar um pouco, refleti e pensei em escrever sobre (a escrita teve papel importante para que eu desabafasse e não tivesse pesadelo na noite que já se estendia...). A importância foi no despertar para outra realidade, que este acontecido me proporcionou!
Que bom! Descobri que sou pouco apegado aos bens materiais... Que, para mim, a vida é bem mais que possuir objetos, sejam eles de grande ou pequeno valor. Na verdade eu gostei mais daquela integração de pessoas, reunidas por um único objetivo (resgatar o objeto roubado?). Mas, na verdade, aquelas pessoas se reuniram ali e palpitaram bastante não somente por eu ter sido roubado, mas para, mais uma vez mostrarem entre si, que a malandragem merece mesmo é a cadeia. Cada qual colocava seu espanto, por ter havido um roubo num local tão público, tão movimentado e em questão de segundos! Todos conversaram muito, inclusive eu, mas ninguém agiu, nem mesmo eu! Como agir? Já que matar o ladrão me colocaria dentro de uma prisão, mas deixá-lo livre constituía perigo eminente para mim e para a sociedade! O que fazer? Pois, “se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”!  A situação se complicava ainda mais, pois parecia ser o ladrão uma criatura de menor, neste caso é (ainda mais) acobertado pela Lei[1]; na verdade, esta lei é algo convergente, concorrente com o ser humano, seu fundador e leitor assíduo de sua cartilha!
Depois que a cabeça esfriou, eu comecei a refletir e me indaguei intrinsecamente: só sendo eu um maluco, achar divertido e bom ter um bem roubado. Devo ser louco, mesmo, pois não dou valor aos bens que tenho, aos bens materiais! Mas, que eu posso fazer? Afinal este comportamento faz parte da minha índole, está dentro de mim e não posso mudar de uma hora para outra... Talvez eu tenha mesmo que apanhar bastante dessa realidade tão injusta e cruel e, deste modo, tornar-me igual ao perfil que ela desenha, isto é, igual a tantos outros, em crueldade, desonestidade e avareza, entre outros defeitos de caráter típicos de quem lê e vive a cartilha desta triste realidade!
Não posso dizer, absolutamente, que ter um objeto roubado foi de verdade bom, se, para mim, tivesse sido, aí sim seria eu um louco! Na verdade, me doeu muito, logo que passou a efervescência da realidade anteriormente vivida. Porém não causou um impacto capaz de transtornar meu espírito e meu caráter, meu ego e minha autoestima, somente criou em mim mais uma atitude de alerta quanto à realidade e os seres humanos que a compõem, nesse caso, extremamente perversos. 
JaloNunes.

[1] Terrível criação da humanidade, que mais descrimina do que iguala; mais prende do que solta; mais fere, do que cura; mais humilha, do que enaltece; mais castiga, que liberta; mais mata, que dá a vida; mais erra, que acerta....

2 comentários:

  1. Que pena que teve que passar por esta experiencia nada boa, é muito chato passar por isso, mas a vida é mais importante e você está bem.
    tenha uma bom fim de semana.
    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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    1. Olá Simone.
      Fico muito feliz que esteja fazendo parte deste blog também!
      É muito bom ter sua participação e seus comentários!
      Um abraço. Obrigado.

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