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quarta-feira, 14 de maio de 2014

O Poder de uma Carta



D
epois que voltei da Europa, tendo passado 6 meses de residência em Portugal (para estudar, devido a um intercâmbio acadêmico), tendo visitado Espanha e França, e retornado em 2 de março de 2009, esta é a primeira vez que escrevo neste texto, que se intitula de Desabafo. É que hoje tamanha foi a alegria que me tomou, ao receber uma carta de meu amigo da Europa, querido amigo que cultivei em Portugal. Mas antes de ler tal carta, absorver todas as palavras que nela estavam, emaranhadas por letras sinceras de um humano incomparável, eu havia sentido um pouco de angústia[1], mas esta foi tão miúda e insignificante que a explico somente na nota de rodapé, é o máximo de espaço que ela merece.
Prosseguindo exponho quão gratificante foi receber e ler tal carta, havia a aproximação indireta de duas pessoas, residentes em partes extremamente distantes, mas no mesmo planeta, portadores de hábitos e costumes distintos e de culturas, como um todo, díspares demais, religiosidades acessas, etc.
Mas percebi também quão sábio é aquele turco; capaz de observar as situações e prever a cognição e o caráter das pessoas, que com ele conviveram em Lisboa, por mais ou menos 6 meses. Dizia ele, na carta que quando estávamos em residência ele não sabia o bastante de português para falar comigo e eu não sabia o bastante de inglês para falar com ele, logo, não conversávamos muito, mas ele percebeu que as pessoas podem compartilhar e confraternizar não somente pela língua, mas pelo sentimento e ele havia percebido, no dia da minha partida, o quanto meu coração era delicado. Ninguém antes havia feito um diagnóstico assim de minha pessoa, ele conseguiu dar-me um caráter de humano, o qual jamais almejei ou esperei... Quisera eu poder entender assim as outras pessoas, meus amigos ou não, vendo nelas somente o que há de bom!
Ele mostrou-se um sábio, uma pessoa muito inteligente e especial; e eu espero, com o coração cheio de paz ainda revê-lo, poder dizer-lhe palavras de agradecimento e de retribuição fraternas e sinceras. 
JaloNunes.


[1] É que, ao chegar ao portão, meu irmão me alertou da chegada de uma carta para mim. Por e-mail, o remetente já havia comentado sobre tal carta, similares já havia enviado a outros amigos; eu, portanto, a aguardava a qualquer momento. Adiantou-me que se tratava de outro país; eu indaguei – Turquia? Ele: - parece que sim! Entrei no quarto e a vi, sobre a cômoda, branca e cheia de luz, aguardava ser lida e dissecada por um humano que cultiva amigos, tal com o cultiva orquídeas, querendo sempre vê-las florir; mas, eis que ao buscar abri-la, já se encontrava aberta, tamanha foi a dor que em mim habitou naquele instante, pois a magia de se abrir uma carta é única demais para ser desperdiçada, é muito singular para ser efetivada sem que se tenha direitos, mesmo que informais; sei que outras pessoas não avaliam o valor de uma carta, a ser aberta, ainda mais se nesta carta se transmitem palavras que se aproximam, afinal, meu amigo a enviou nada mais, nada menos que, da Turquia, outro continente que não o meu, quase o outro lado do mundo, exatamente da capital Istambul e trazia fora, no endereço, inscrições da escrita local, estrangeiras a nós. Mas como descrevi no corpo do texto isso foi pequeno diante da imensa alegria que senti ao ler as escritas aportuguesadas do saudoso amigo.

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